O dia seguinte amanhece com aquele sabor doce e meio-amargo de partida. Tudo tem impressão de ter voltado ao seu lugar. Não há, por incrível que parece, um único fio de lã espalhado pela casa. Coloco-me entre a porta do quarto em que dormi e a sala em que minhas tias tricotavam.
É quando vejo uma cena inacreditável para finalizar esta aventura de além tumba que tive.
Como se eu assistisse ao final de um conto de fadas, minhas três tias tricoteiras foram, aos poucos uma a uma, entrando no cesto de novelo, pequenas como bonecas, exatamente aquelas que elas sempre quiseram ter quando meninas, mas a pobreza dos pais não lhes permitiu possuir.
Três bonecas sorridentes dentro do balaio de novelos.
Eurípedes, para completar, se aninha entre elas e puxa uma soneca.
Minha avó me beija, apaga a luz do corredor e vai dormir. Bá já deve estar bem longe, provavelmente entrando em sua casinha.
Bença, vó!
Te abençoe, meu neto...-veio a voz fraquinha de dentro do quarto, quando vovó encostava a porta para rezar o terço.
Na salona, ficamos somente eu e o balaio.
Eurípedes, que sempre teve jeito de gente, nunca pareceu mais animal que naquele momento.
Ele me ajudou tanto!
À semelhança de um bom final de historias da Carochinha, vou terminar por aqui, com estes versinhos antigos:
''Entrou por uma porta
Saiu por um pé-de-pato:
Manda o rei, meu senhor,
Que me conte quatro.''
Até a próxima...
Por: Sergio
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